ALLEGRO MA NON TROPPO
Já falei quem é Ali Chofli? Ele é meu inimigo número um nessa cidade, meu completo oposto, minha antítese, o gênio do mal cuja razão de existir é transformar minha vida numa sucessão de calamidades, e o gerente da locadora mais próxima de casa. Eu nunca alugo nada lá, mas, desde o bombardeio covarde da Youssef Video, que era meu oásis de filmes europeus em meio à multidão de locadoras arrasa-quarteirão, não me sobrou outra opção. Mazel tov, Força Aérea Israelense!
Dei um pulo ontem lá na locadora dele, e o ordinário do Ali fez questão de me atender. "Não quero ver nenhum dos seus enlatados hollywoodianos", anunciei de forma solene e viril. "Que é isso, aqui a gente só tem filme de arte", disse Ali. "Você gosta de música clássica? De música de gente grande?", ele me perguntou. É claro que eu gosto de música clássica. "Então tenho um DVDzaço reservado para você", ele falou, colocando o documentário Beethoven, o Magnífico na minha mão.
Saí de lá salivando de expectativa, e surpreso com a descoberta do lado gente fina do Ali Chofli. Ao chegar em casa, coloquei o som no turbo, sentei em minha mais selvagem cadeira de balanço, ajeitei a almofada e me preparei para ter os ouvidos inundados pelas trombetas celestiais do velho Ludwig Van, mas, logo ao apertar o play, fiquei com a impressão de ter sido feito de idiota. Quer dizer, ou eu fui feito de idiota ou então Beethoven – o insuperável gênio da Renânia, o autor de sinfonias que fariam deuses chorarem em temor e reverência, o mestre que escreveu seu nome na História da Música a machadadas de lirismo superior – era na verdade um são bernardo comilão que se metia nas maiores confusões para escapar de um veterinário sádico, que o queria transformar em objeto de suas diabólicas experiências.
Terei sido enganado? Ah, se isso tiver acontecido o Ali vai me pagar... Já até aluguei Beethoven 3 – Uma Família em Apuros para esclarecer esse assunto. Eu vou até o fim.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) teve sua obra transformada em DVD através da sensibilidade aguçada e erudita de Brian Levant e John Hughes
Já falei quem é Ali Chofli? Ele é meu inimigo número um nessa cidade, meu completo oposto, minha antítese, o gênio do mal cuja razão de existir é transformar minha vida numa sucessão de calamidades, e o gerente da locadora mais próxima de casa. Eu nunca alugo nada lá, mas, desde o bombardeio covarde da Youssef Video, que era meu oásis de filmes europeus em meio à multidão de locadoras arrasa-quarteirão, não me sobrou outra opção. Mazel tov, Força Aérea Israelense!
Dei um pulo ontem lá na locadora dele, e o ordinário do Ali fez questão de me atender. "Não quero ver nenhum dos seus enlatados hollywoodianos", anunciei de forma solene e viril. "Que é isso, aqui a gente só tem filme de arte", disse Ali. "Você gosta de música clássica? De música de gente grande?", ele me perguntou. É claro que eu gosto de música clássica. "Então tenho um DVDzaço reservado para você", ele falou, colocando o documentário Beethoven, o Magnífico na minha mão.
Saí de lá salivando de expectativa, e surpreso com a descoberta do lado gente fina do Ali Chofli. Ao chegar em casa, coloquei o som no turbo, sentei em minha mais selvagem cadeira de balanço, ajeitei a almofada e me preparei para ter os ouvidos inundados pelas trombetas celestiais do velho Ludwig Van, mas, logo ao apertar o play, fiquei com a impressão de ter sido feito de idiota. Quer dizer, ou eu fui feito de idiota ou então Beethoven – o insuperável gênio da Renânia, o autor de sinfonias que fariam deuses chorarem em temor e reverência, o mestre que escreveu seu nome na História da Música a machadadas de lirismo superior – era na verdade um são bernardo comilão que se metia nas maiores confusões para escapar de um veterinário sádico, que o queria transformar em objeto de suas diabólicas experiências.
Terei sido enganado? Ah, se isso tiver acontecido o Ali vai me pagar... Já até aluguei Beethoven 3 – Uma Família em Apuros para esclarecer esse assunto. Eu vou até o fim.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) teve sua obra transformada em DVD através da sensibilidade aguçada e erudita de Brian Levant e John Hughes

0 Comments:
Post a Comment
<< Home